Os nossos quereres estão escondidos no mais recondido do nosso inconsciente, por vezes escondidos de nós próprios o que nos levará a ter atitudes que nem nos compreendemos. Como poderemos esperar que outros compreendam algo quando muitas vezes nós não o compreendemos por nos próprios? A questão a colocar não será esta, mas como queremos que os nossos quereres sejam tomados em conta pelos outros para que o sentimento de raiva e de injustiça não seja despoletado dentro de nós? Pois a resposta é comunicação. Comunicação que muitas vezes não existe, aliás, por isso se inventou o vocábulo “segredo” ou “escondido”, porque haverá sempre alguma coisa que não conseguiremos transmitir pelos métodos comuns da comunicação.
Ora, se não conseguimos compreender muitos dos nossos quereres nem conseguimos transmitir alguns dos quereres que compreendemos e sabemos existir, então que raio estamos a fazer interagindo como outros? Sabemos da frustração que nos poderá causar porque eles não compreendem, mas mesmo assim convivemos. Sabemos que temos segredos nossos que poderão corroer essas relações mas mesmo assim arriscamos. Sabemos que não poderemos transmitir alguns desses quereres porque não temos os mecanismos (ainda. Algum dia a telepatia irá substituir a telecomunicação de qualquer forma) para tal.
Se não podemos conviver porque isso nos vai corromper a tão anunciada pura natureza humana, porque o fazemos? Por ignorância. Por mera insistência de cego. Por simples… curiosidade de imbecil.















